Breve histórico social do Ser Mulher.

O meu objetivo com este texto é tentar responder a pergunta: Por que se Empoderar vale a pena?

Para isso te convido para uma viagem no tempo para contextualizar nossa historia.

Depois vou falar brevemente sobre o que mudou para mulher moderna e por ultimo apresentar algumas definições sobre empoderamento feminino, afinal o que é isso.

Acomode-se confortavelmente e respire fundo para uma rápida viagem no túnel do tempo. Nosso destino é o Brasil de 1545.

Nessa época a mulher era considerada incapaz, como as crianças e os doentes. Só podia sair de casa para ser batizada, enterrada, ou se casar.

Pobre, ou rica a mulher tinha um único papel: EDUCAR SEUS FILHOS E SERVIR AO SEU MARIDO.

Os sermões da época difundiam a ideia de que a mulher podia ser perigosa, mentirosa e falsa como uma serpente.

No séc. XV, NO MANUAL DE CAÇA AS BRUXAS sobre o titulo de Martelo das feiticeiras encontramos a seguinte afirmação:

“Quando uma mulher pensa sozinha, ela pensa maldades.”

Para Aristoteles a mulher era uma espécie de barro a ser moldada.

Nesse contexto tudo o que era bom, nobre, valioso, coerente e racional foi atribuído ao homens – criados a semelhança de Deus.

Já as mulheres ficaram associadas ao pecado, ao mal, a irracionalidade, impulsividade e inconstância. As energias mutáveis da natureza e da mulher tornaram-se sinônimos da imperfeição, do perigo e do instinto selvagem e irracional, que devia ser dominado e controlado pelo homem.

O modelo de comportamento ideal para as mulheres era Nossa Senhora: pudor, severidade e castidade.

A Igreja Católica incentivava a mulher a ser submissa. A mulher restava se conformar em ser uma do lar: Cuidar da casa, lavar, servir ao marido com sexo e procriação.

Apenas as mulheres casadas eram respeitadas.
Não podiam estudar apenas rezar, bordar e costurar. Não podiam trabalhar nem tão pouco votar.

Agora vamos avançar em nossa viagem ao túnel do tempo e vamos para o séc. XX

“As mulheres eram infantilizadas e tratadas como propriedade.
um traje ou o próprio corpo alegre aumentavam as chances de serem agredidas, ou sofrerem violência sexual.

As mulheres que viviam apertadas em cintas, amordaçadas e contidas eram consideradas “certas” e aquelas que conseguiam fugir da coleira uma ou duas vezes na vida eram classificadas erradas.”

Essas afirmações foram tiradas do livro Mulheres que Correm com Lobos, da Clarissa Pinkola Estes.

O que mudou?

Conquistamos o direito ao voto. Em 60, com a pilula anticoncepcional conquistamos a liberdade sexual. Em 70 e 80 conquistamos o mercado de trabalho e invadimos os cursos universitários.

Atualmente as mulheres correspondem a 45% da força de trabalho no Brasil, mas ocupavam, até o fim de 2011, só 7,9% dos cargos de diretoria e 7,7% dos postos em conselhos de administração das empresas de capital aberto do Brasil. segundo dados do Núcleo de Direito e Gênero da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo.

Apesar do número crescente de mulheres nas faculdades e no mercado de trabalho, as mulheres brasileiras ainda ganham um salário em média 30% inferior ao dos homens.

A cada 10 mulheres 7 ja sofreram algum tipo de violência, ou abuso sexual, fisico ou emocional.

No Brasil a cada 11 minutos uma mulher é espancada ate a morte.
Como podemos notar, o Movimento Feminista, que começou a se movimentar em 1920 com a luta das mulheres por condições mais humanas de trabalho nas fabricas e o direito ao voto fez grandes conquistas.

No entanto, ainda vivemos em uma sociedade enraizada em valores patriarcais e machistas; Então convido vocês a encerrar nossa viagem no túnel do tempo no presente e analisar a cultura que nos cerca.

1- Elogiamos a virgindade das meninas, mas as dos meninos não.

2-A mulher moderna ainda vive sua sexualidade encurralada no binômio SANTA OU PUTA.

3-Se um homem trai uma mulher é a sua natureza, se a mulher trai o homem ela é uma VADIA.

4-Ensinamos as meninas a não externarem seus desejos, a serem simpáticas, amáveis, dóceis e boazinhas.

5-Nosso valor esta constantemente atrelado ao olhar do outro. E sofremos com a preocupação: O que vão pensar de mim.

6- A mulher que passa dos 30 e não casa é apontada como um fracasso. O homem na mesma situação esta avaliando as possibilidades para fazer uma boa escolha.

E nesse cenário que surgiu o tão falado empoderamento feminino.
Empoderamento significa conquistar autonomia no que se refere ao controle do seu corpo, sua sexualidade e sua liberdade.

O empoderamento pode ser pensado da pespectiva individual e coletiva.

Como coach acabo trabalhando na esfera individual apoiando as mulheres a encontrar e manifestar seu poder. Pois por falta de pratica, as mulheres muita vezes não se sentem a vontade em reclamar o que é seu, assumir posições, falar e agir em defesa própria, pois temem serem taxadas de agressivas. Fomos treinadas a buscar nosso poder nos outros, a pedir licença para ser, ou fazer o que queremos. Mas podemos mudar isso.

Da perspectiva coletiva:

O empoderamento como fenômeno sociológico está relacionado com membros de grupos que são discriminados pela sua raça, religião ou sexo. E se refere a um aumento de força política e social desse grupo ou de um único indivíduo discriminado, através do fortalecimento de suas próprias capacidades. O empowerment é muitas vezes usado como uma metodologia pelo movimento feminista.

Por fim, acredito que o grande problema da questão de gênero é que ela prega como deveríamos ser em vez de reconhecer como somos. Acho que seriamos bem mais felizes e livres para ser quem realmente somos se não tivéssemos o peso das expectativas de gênero que na mulher recai sobre o bordão do TEM QUE…

TEM QUE SER BONITA, Magra e saudável, BOA MÃE, BEM SUCEDIDA, BOA ESPOSA, AMANTE, INCANSÁVEL, AMAVEL… são tantos papeis e tantas cobranças que acabamos esquecendo de quem realmente somos e o que desejamos fazer do fundo da nossa alma.

E assim eu encerro este texto, mas deixo uma pergunta:

Vale a pena se empoderar?

Quem gostou do que leu e quer mais acesse https://youtu.be/zYhHv-9SnMc

 

 

 

 

 

 

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